Uma banca de livros em Siena.
Carta nº 002

Reflexões

O amor, mais do que um sentimento, uma essência.

Nós não decidimos por quem nos apaixonamos, mas decidimos quem vamos amar.

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Me recordo de encontrar, em uma pesquisa sobre o psicólogo alemão Erich Fromm, uma ideia que permaneceu comigo: o amor é uma faculdade que precisa ser estudada e desenvolvida, uma arte tal como a própria vida. E consigo associar isso perfeitamente aos meus pensamentos. Vivemos em tempos de um amor tão intenso que vem com data de validade. Ontem conversava com amigos e entramos nesse assunto. Cada um tinha sua percepção sobre o amor; alguns pensamentos eram sobre amar alguém uma vez e superar, deixando de amar com o tempo. No meu interior, só conseguia pensar que, uma vez amando alguém, jamais deixaria de amar. Quando penso no amor, penso em algo tão avassalador que é capaz de nos despertar, perturbar e até influenciar nossas ações. E, bem, na verdade, o amor não é um sentimento. É uma essência.

Pôr do sol sobre o mar, com o reflexo dourado da luz sobre a água.

Penso diariamente no amor da minha vida. Às vezes deito na cama e deixo meus pensamentos voarem para longe, imaginando alguém vivendo a própria vida sem saber que, em algumas horas, dias ou até anos, irá dividi-la comigo. Falo que o amor é algo tão único porque nós não decidimos por quem nos apaixonamos, mas decidimos quem vamos amar. Voltando ao pensamento de Fromm, o amor é desenvolvido e lapidado e, na minha percepção, a paixão é reacendida sempre. Por isso, não é tão simples amar alguém e, ao mesmo tempo, deixar de amar. Arrisco dizer que, muitas vezes, entregamos nossos “eu te amo” sem ao menos ter certeza. Essa sensação pode ser descrita como infatuação, um encantamento intenso que facilmente confundimos com algo maior. Ou até mesmo um encantamento momentâneo que expressa bem essa vontade de chamar de amor algo que ainda não tivemos tempo de compreender. Mas isso não é amor.

Em Romeu e Julieta, visualizamos um amor tão impossível que a própria história se torna frágil. No entanto, só consigo enxergar dois jovens imaturos, criados por pessoas mais imaturas ainda. Uma situação mal resolvida que levou a uma catástrofe. Ganância, orgulho e mentiras. Penso em tantas coisas, e nada me leva à conclusão do amor. Provavelmente uma paixão, ou até um desejo eloquente de vivenciar o amor. Mas nada da essência. Não deu tempo.

Exemplar antigo de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, exposto na biblioteca nacional austríaca.

Existe em nós um desejo profundo de sermos desejados, acalentados e amados. E, muitas vezes, nossa própria mente confunde nossos sentidos e nos traz uma falsa sensação de conforto em um lugar onde claramente não devemos nos acomodar. Tem um ditado popular que diz que “o amor é cego”, mas não é verdade. A paixão é cega. Amor é quando escolhemos estar todos os dias com alguém. Abraçando não só as qualidades, mas os defeitos também.

O amor não está apenas nos grandes momentos. Pelo contrário, é na rotina que ele se torna forte e presente. No café feito do jeito certo, na conexão silenciosa dentro do carro, nos domingos sem pressa. Na vida passando rápido demais e você percebendo o quanto é bom ter alguém com quem compartilhar certos sentimentos tão individuais que acabam se tornando um segredo.

Lojinha do museu Belvedere

Por fim, como uma boa cristã, relembro um trecho da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios: “O amor é paciente, o amor é bondoso”. O amor é uma das forças mais profundas que existem. Pois, quando escolhemos amar alguém, chegamos perto do amor que Deus sente por nós. Caro leitor, desejo que o seu coração esteja tão bem guardado em Deus que, para encontrá-lo, alguém precise primeiro saber onde procurar.

Música escolhida para a leitura: Lovesong - Adele

Com amor, Iasmin